à minha Mãe Tradução para o português: Cristine Koehler Zanella | |
Senhora mãe, esta vez me veio em mente desejar-lhes o “feliz ano novo” através do jornal: não levem a mal! Eu o desejo de todo coração e com todo o afeto de um filho que não é mais um menino e que se recorda e sabe reconhecer tudo que recebeu de vós. Não me destes as comodidades e as diversões dos ricos, nem as manhas dos burgueses e nem mesmo o veneno e a raiva dos invejosos e dos incapazes. Me criastes sem mimos, sem safanões e sem caprichos. Fizestes me transformar num homem que sabe percorrer o próprio caminho e num friulano que não trai suas origens. Por tudo isso lhes serei grato enquanto viver. E lhes sou grato também por tantas outras pequenas coisas que muitos não sabem apreciar suficientemente: por terdes me dado o nome Domenico e não Lídio ou Melampo, por terdes me ensinado a falar o friulano e não uma gíria qualquer, por terdes me educado em liberdade e não sob uma cúpula de vidro, por terdes me ensinado a trabalhar e não ser um almofadinha, por terdes me deixado crescer mais rude que bajulado, por terdes me acostumado a dar atenção aos fatos e não às palavras, olhar em frente e não caminhar de olhos fechados. E não importa se às vezes eu firo, se bato de frente, se piso na corda de quem a puxa, se acotovelo quem quer me fazer perder tempo, zombar de mim ou enganar-me. Importa que eu tenha a retidão, a prudência e a vontade de continuar sobre os trilhos da justiça e da verdade. Importa que ninguém tenha podido me corromper, nem ter-me feito virar a casaca, incorrer em erro ou cometer uma canalhice. Queira Deus que eu tenha sempre a força de viver como me ensinastes, porque de vez em quando é difícil, em meio a tanta escória que se encontra entre os pés... Agora tenho um só desejo e uma única ambição: conseguir fazer com meus filhos aquilo que soubestes fazer comigo e com meus irmãos. Por ora não posso me lamentar, mas o mais velho dos meus filhos parece deixar-se encher a cabeça com palavrões e baboseiras. Será a escola, será o clima carregado de retórica que nos traz do sul o siroco. Mas de certos fervores vós me curastes com uma purga, e eu, o filho de meu pai, pretendo fazer do mesmo modo. Feliz ano novo, senhora mãe. Saúde e, queira Deus, em santa paz. Irei encontrá-los assim que puder, porque cada vez que saio deste inferno de cidade pareço me recriar e voltar como novo. Até logo. |